São Francisco de Paula

São Francisco de Paula, Religioso e Fundador (2)São Francisco de Paula foi um eremita, fundador da Ordem dos Mínimos.

Dificilmente forma-se um santo em lar pouco cristão, pois o exemplo dos pais costuma desempenhar importante papel na formação dos filhos.

Vemo-lo claramente na vida de São Francisco de Paula, cujos progenitores eram modestos agricultores na pequena cidade de Paula, na Calábria, atual Itália.

Giacomo, o pai (Tiago, em português), tirava do campo o sustento da família e santificava-se na oração, jejum, penitência e boas obras. Sua esposa, Viena, era também virtuosa, secundando-o em suas boas disposições. Mas não tinham filhos.

Pediam-no ao Céu, sobretudo a São Francisco de Assis, de quem eram devotos. Prometeram dar seu nome ao primeiro filho que tivessem.

O santo de Assis teria se deixado comover e, com sua intercessão, o casal gerou o menino tão desejado. Francisco nasceu no dia 27 de março de 1416 na cidade de Paola (Paula em português), na região da Calábria, sul da atual Itália, na época, pertencente ao Reino de Nápoles.

A alegria, entretanto, foi de pouca duração, pois o recém-nascido Francisco teve um abcesso maligno no olho esquerdo, que lhe ameaçava a visão. Giacomo e Viena recorreram de novo ao santo: seria possível que ele tivesse atendido aos seus rogos pela metade?

Prometeram agora, caso o menino sarasse e tão logo a idade o permitisse, vestirem-no com o hábito franciscano, deixando-o durante um ano em um convento. Observou-se notável melhora na saúde do garoto.

Em 1429, apareceu-lhe então um frade franciscano, lembrando que chegara a hora de seus pais cumprirem a promessa feita. Os pais consentiram e levaram o menino de 13 anos, com seu pequeno hábito, para o convento franciscano de São Marcos, no qual todo o rigor da regra era observado.

Francisco, embora não fosse obrigado a isso, começou a observar a regra com tanta exatidão, que se tornou modelo até para os frades mais experimentados nas práticas religiosas.

Alguns milagres marcaram a vida do frade-menino no convento. Certo dia o sacristão mandou-o precipitadamente buscar brasas para o turíbulo, mas sem indicar-lhe como. Ele, com toda simplicidade, trouxe-as em seu hábito, sem que este se queimasse.

De outra feita, encarregado da cozinha, colocou os alimentos na panela e esta sobre o carvão, esquecendo-se contudo de acendê-lo. Foi depois para a igreja rezar e entrou em êxtase, olvidando-se da hora. Quando alguém, que passara pela cozinha e vira o fogo apagado, chamou-o perguntando se a refeição estava pronta. Francisco, sem titubear, respondeu que sim. E chegando à cozinha, encontrou o fogo aceso e os alimentos devidamente cozidos.

Os frades de São Marcos queriam conservar consigo aquele adolescente que dava tantas provas de santidade. Mas ele sentia-se chamado para outra coisa. Findo o ano, dirigiu-se com os pais a Roma, Assis, Loreto e Monte Cassino.

Neste último lugar, sabendo que São Bento ali se estabelecera aos catorze anos para entregar-se todo a Deus, fez o mesmo propósito. Pediu aos pais que o deixassem viver como eremita. Francisco queria mais solidão.

Por isso, um dia desapareceu e subiu uma montanha rochosa, onde encontrou uma pequena gruta que transformou, durante seis anos, em sua morada. Vivendo exclusivamente para Deus, na contemplação e penitência, alimentava-se de raízes e ervas silvestres. Segundo a tradição de sua Ordem, recebeu ali o hábito monástico das mãos de um Anjo.

Francisco seguia uma dieta vegetariana rigorosa, sem carne de animais, laticínios ou ovos.

Surgindo jovens discípulos, esse eremita de dezenove anos obteve do bispo local licença para construir um mosteiro no alto de um monte próximo a Paula. Essa foi a origem da Ordem dos Mínimos, fundada pelo Santo em 1435 e lhe fez o mais jovem fundador de Ordem religiosa, com apenas 19 anos.

Essa construção, como outras posteriores, constituiu um contínuo milagre, nomeadamente a partir de um, em Cosenza, do qual foi nomeado superior em 1454, data da sua construção. Participavam os habitantes da cidade, ricos e pobres, nobres e plebeus. E foram testemunhas de inúmeros milagres.

Enormes pedras saíam do lugar à sua simples voz, pesadas árvores e pedras tornavam-se leves para serem removidas ou transportadas, alimentos que mal davam para um trabalhador alimentavam muitos… Com isso, mesmo pessoas doentes iam participar das construções e se viam curadas.

“Não há espécie de doenças que ele não tenha curado, de sentidos e membros do corpo humano sobre os quais não tenha exercido a graça e o poder que Deus lhe havia dado. Ele restituiu a vista a cegos, a audição a surdos, a palavra aos mudos, o uso dos pés e mãos a estropiados, a vida a agonizantes e mortos; e, o que é mais considerável, a razão a insensatos e frenéticos”.

“Não houve jamais mal, por maior e mais incurável que parecesse, que pudesse resistir à sua voz ou ao seu toque. Acorria-se a ele de todas as partes, não só um a um, mas em grandes grupos e às centenas, como se ele fosse o Anjo Rafael e um médico descido do Céu; e, segundo o testemunho daqueles que o acompanhavam ordinariamente, ninguém jamais retornou descontente, mas cada um bendizia a Deus de ter recebido o cumprimento do que desejava” (*).

Dentre os muitos mortos que ele ressuscitou, destaca-se seu sobrinho Nicolas. Desejava ele ardentemente fazer-se monge na Ordem que seu tio acabava de fundar. Mas sua mãe, por apego humano, a isso se opôs tenazmente. O rapaz adoeceu e morreu. O corpo foi levado à igreja do convento, e Francisco pediu que o conduzissem à sua cela. Passou a noite em lágrimas e orações, obtendo assim a ressurreição do rapaz.

No dia seguinte, de manhã, quando sua irmã foi assistir ao sepultamento do filho, Francisco perguntou-lhe se ela ainda se opunha a que ele se fizesse religioso. “Ah!” – disse ela em lágrimas – “se eu não me tivesse oposto, talvez ele ainda vivesse”. – “Quer dizer que você está arrependida?” – insistiu o Santo. – “Ah, sim!”. Francisco trouxe-lhe então o filho são e salvo, que a mãe abraçou em prantos, concedendo a licença que antes recusara.

Outro caso famoso foi o da ressurreição de um homem que havia sido enforcado três dias antes pela justiça. Restituiu-lhe não só a vida do corpo, como também a da alma.

Mas o fato mais extraordinário, e que segundo se sabe só ocorreu com Francisco, foi o de ter ele ressuscitado duas vezes uma mesma pessoa.

Um certo Tomás de Yvre, habitante de Paterno Calabro, trabalhando na construção do convento dessa cidade, foi esmagado por uma árvore. Levado ao Santo, este restituiu-lhe a vida. Tempos depois, caiu ele do alto do campanário, espatifando-se em baixo. O Santo restituiu-lhe novamente a vida.

Foi durante esse tempo que lhe apareceu o Arcanjo São Miguel, seu protetor e da nascente Ordem, trazendo-lhe uma espécie de ostensório em que aparecia o sol num fundo azul e a palavra Caridade (“Charitas“), que o Arcanjo recomendou que o Santo tomasse como emblema de sua Ordem.

Francisco passava as noites em prece, mal dormindo sobre umas pranchas. Observava uma quaresma perpétua, às vezes comendo a cada oito dias, tendo mesmo passado uma quaresma toda sem alimento, à imitação de Nosso Senhor.

Seu hábito era de um tecido grosseiro, que ele portava de dia e de noite, mas que nem por isso deixava de exalar agradável odor. Seu rosto, sempre tranquilo e ameno, parecia não se ressentir das austeridades que praticava nem dos efeitos da idade, pois era cheio, sereno e rosado.

O coroamento de todas as suas virtudes consistia numa admirável simplicidade. Ele era bom, franco, cândido, serviçal, sempre disposto a fazer o bem a qualquer um. Foi esse espírito que ele comunicou a seus filhos espirituais.

Ele era dotado do dom da profecia. Segundo um de seus biógrafos, dele se pode dizer, como do Profeta Samuel, que nenhuma de suas predições deixou de se cumprir. Assim, profetizou que os turcos invadiriam a Itália, como já havia predito que tomariam Constantinopla. Os demônios não podiam resistir-lhe, e foram inúmeros os casos de possessos que ele livrou do jugo diabólico.

Embora analfabeto, pregava com tanta sabedoria que pasmava a quem o ouvia. E como tinha em grau heroico a virtude da sabedoria e as virtudes cardeais – prudência, justiça, temperança e fortaleza –, brilhavam elas em seu modo de ser e agir, como também em suas palavras. Por isso, sem o menor constrangimento podia conversar e dar conselhos a Papas, reis e grandes deste mundo.

A fama de suas virtudes chegara até a França, onde o Rei Luís XI fora atacado por doença mortal. Por isso, pediu ao Santo que o fosse curar. Mas foi só com ordem formal do Papa que Francisco partiu para aquele país. Isso seria providencial para a expansão de sua Ordem não só na França, mas também em outros países da Europa, como Alemanha e Espanha.

São Francisco de Paula, assim que esteve com o rei, discerniu que a vontade de Deus não era a de curá-lo, mas levá-lo desta vida. E o disse claramente ao soberano, preparando-o para a morte.

O monarca confiou-lhe seus filhos, principalmente o Delfim, então com 14 anos. Francisco foi o confessor da Princesa Joana, que depois de repudiada por seu marido, o futuro Luís XII, fez-se religiosa e mereceu a honra dos altares.

Foi por conselho de Francisco que o Rei Carlos VIII de França casou-se com Ana de Bretanha, herdeira única daquele ducado, que veio assim unir-se ao Reino da França.

São Francisco, entre outros grandes carismas, era dotado de uma graça especial para obter de Deus o favor da maternidade para mulheres estéreis. Muitos milagres desse gênero, alguns em casas reais ou principescas, foram relatados no processo de canonização do Santo em Tours.

Suas devoções particulares consistiam em cultuar o mistério da Santíssima Trindade, da Anunciação da Virgem, da Paixão de Nosso Senhor, bem como os santíssimos nomes de Jesus e de Maria.

O santo faleceu no dia 02 de abril, a Sexta-feira Santa do ano de 1507, aos 91 anos de idade, na cidade francesa de Tours, onde foi sepultado.

Seu corpo permaneceu incorrupto até 1562. Nesse ano, durante as Guerras de Religião, os protestantes calvinistas – como o Santo havia predito – invadiram o convento de Plessis, onde estava enterrado, tiraram seu corpo do sepulcro e, sem se comover de vê-lo em tão bom estado, queimaram-no com a madeira de um grande crucifixo da igreja.

Assim, foi o Santo praticamente martirizado depois de sua morte. Entretanto, apesar do ódio dos inimigos da fé, sua glória permanece para sempre.

Foi canonizado pelo papa Leão X, em 1518, e é o padroeiro dos marinheiros.

No Brasil, São Francisco de Paula é Padroeiro de Pelotas e da Arquidiocese Metropolitana de Pelotas, tendo sua Catedral Metropolitana consagrada em sua Honra.

São Francisco de Paula, foi o motivo da construção da primeira capela na região de descoberta de ouro entre São Paulo e Minas Gerais, dando origem ao povoado chamado inicialmente São Francisco de Paula de Oiro Fino. É que São Francisco de Paula havia igualmente previsto para o reino português a descoberta de novas terras com enorme riquezas e aqueles navegadores, bandeirantes e descobridores homenageavam e agradeciam naquelas montanhas a precisão do acerto.

A atual cidade de Ouro Fino guarda sua devoção, onde uma basílica ao santo milagreiro continua a antiga tradição da fé de seus povoadores. A bandeira da cidade, ao lado das bateias de ouro, leva o lema do santo padroeiro: CHARITAS.

São Francisco de Paula também é padroeiro da cidade de Dobrada-SP e Narandiba-SP.

por Leandro Queiroz Postado em Santos

São Quirino

São QuirinoSão Quirino, por vezes chamado de São Quirino de Roma, ou São Quirino de Neuss, ou ainda São Cirino, é um mártir e santo venerado tanto pela Igreja Católica quanto pela Igreja Ortodoxa.

Não se sabe quando e onde nasceu, mas era de origem romana e seu nome provem do alemão Quirin ou Quirinus, que por vezes é traduzido para o latim como Cirino.

O que se sabe da sua vida provem dos lendários “Atos dos Santos Alexandre e Balbina“. Segundo eles, Quirino era um rico tribuno, uma espécie de governante local no Império Romano, que na sua época era liderado pelo imperador Trajano, que manteve-se no trono entre os anos 98 e 117.

A história sobre sua vida, nos foi trazida, principalmente, pelo teatro medieval. É citado na obra “ss. Balbinae et Hermetis”, sem que se tenha provas sobre o que de fato é verdade nestas tradições antigas.

Quirino vivia, conta a lenda, como “fiel funcionário do Império Romano”, matava os rebeldes cristãos, prendia-os e investigava-os.

No ano de 116, o imperador Trajano, voltando de uma campanha vitoriosa contra os partos, soube que o prefeito de Roma, Hermes, tinha abandonado a religião do Império Romano para aderir ao cristianismo e que para a sua surpresa havia sido batizado pelo Papa Alexandre.

De Selêucia (cidade grega que fica ao sul da atual Turquia, na época conquistada pelos romanos), onde foi então à frente de seu exército, Trajano enviou a Roma seu general Aureliano com a missão expressa de parar todos os cristãos, condenado-os imediatamente à morte se persistissem em sua religião.

A ordem é executada, mas Trajano nunca mais voltou à Roma; ele morreu no meio do caminho voltando pra casa. Adriano, o filho adotivo de Trajano, assim que proclamado imperador por seus soldados teve como seu primeiro ato oficial confirmar a ordem de seu antecessor, tornando a perseguição a todos os cristãos mais sangrenta.

Enquanto isso, Aureliano voltou à Roma e manda prender Hermes, prefeito de Roma. E, depois de alguma investigações, consegue capturar o Papa Alexandre, sendo encarcerado na prisão estadual. Hermes, ao contrário, conforme um antigo costume local, foi confiado à vigilância de Quirino, que o encarcerou na prisão de sua própria casa.

Quirino esforçou-se para trazer Hermes de volta ao culto dos deuses romanos. No entanto, Hermes manteve-se firme em sua decisão pelo cristianismo e Quirino, vencido por tanta fé e retidão, começou a duvidar de seus deuses.

Quando o Papa Alexandre, que estava preso, apareceu “milagrosamente” em sua casa para visitar Hermes, iniciou-se então sua conversão.

Além disso, Quirino tinha uma filha, Balbina que sofria de escrófula, uma doença que causa inchaço e deformações no pescoço, o que a impediria de se casar. Ele pediu ao Papa Alexandre para curar sua filha.

Eles fizeram a criança tocar as cordas que seguravam cativo o Santo Papa, e imediatamente, a doença cessou. Este milagre sacramentou a conversão de Quirino, sendo tanto ele como sua filha batizados no mesmo dia pelos sacerdotes Evêncio e Teódulo.

Após saber da conversão de Quirino, o imperador Adriano, que havia sucedido Trajano em 117, manda prender o tribuno e arrastá-lo para o tribunal onde foi interrogado. O juiz tenta fazê-lo renunciar à sua fé, mas ele não faz nada; Quirino crê em Jesus Cristo e prefere a morte à apostasia.

Os carrascos prepararam a tortura. Acendem várias tochas, mas Quirino não pestaneja nenhuma vez. Quebraram seus ossos com pedaços de pau e o torturaram nas chamas das tochas. Quirino, sustentado pela graça, permanece calmo.

Finalmente, no dia 30 de março do ano 116 ou 117, eles cortaram as mãos e os pés e, depois, os executores cortaram-lhe a cabeça. O corpo de Quirino foi abandonado na rua para servir de alimento para os animais.

Balbina, sua filha, levou-o à noite e sepultou-o na catacumba de Prétextatus ao longo da Via Appia, de acordo com a Enciclopédia Católica. No Itinerários das sepulturas dos mártires romanos do Martirológio Jeronimiano também mencionam estas informações.

Devido a sua “bravura” diante da morte e por ter morrido em nome da “fé”, foi elevado, pelos hagiógrafos, à categoria de mártir e santo, mesmo sem ter sido canonizado

Relicário que guarda os restos mortais de São Quirino, na igreja de Neuss, Alemanha

Relicário que guarda os restos mortais de São Quirino, na igreja de Neuss, Alemanha

No ano 758, o Papa Paulo transferiu o corpo de São Quirino com muitos outros, com grande pompa, para a Igreja de St. Etienne e Silvère, a qual havia construído.

De acordo com um documento da cidade alemã de Colônia que data de 1485, o corpo de São Quirino teria sido doado em 1050 pelo Papa Leão IX a uma abadessa da cidade também alemã Neuss chamada Gepa (que também é chamada de “uma irmã do Papa”).

Desta maneira as relíquias chegaram até à Igreja de São Quirino (Quirinus-Münster), de estilo romanesco, em Neuss. Uma estátua de São Quirino localiza-se no topo do edifício, que Jean-Baptiste Bernadotte tentou saquear durante as Guerras Napoleônicas.

Os habitantes da cidade oraram a ele por ajuda durante o cerco de Neuss feito por Carlos, o Audaz, ocorrido entre 1474 e 1475. Foi então que o santo passou a ser conhecido por São Quirino de Neuss.

Seu culto se espalhou de Colônia, à Alsácia, Escandinávia, Alemanha Ocidental, Países Baixos e Itália, onde se tornou o santo padroeiro da comuna de Correggio.

Diversas fontes e nascentes foram dedicadas a ele, e foi invocado durante epidemias de peste bubônica, varíola e gota; também é considerado um padroeiro dos animais. Peregrinos que visitam Neuss costumam procurar a Quirinuswasser (“água de Quirino“), da Quirinusbrunnen (“fonte de Quirino“).

Um ditado popular entre os fazendeiros de Neuss relacionado ao dia de São Quirino, em 30 de março, diz “Wie der Quirin, so der Sommer” (“Assim como [o dia de São] Quirino se vai, também se vai o verão“).

Juntamente com São Huberto, São Cornélio e Santo Antônio, é venerado como um dos ‘Quatro Marechais Sagrados‘ (‘Vier Marschälle Gottes‘) na região da Renânia.

Retratos de São Quirino e São Valentim aparecem no topo do recto das Crônicas de Nuremberg (Folio CXXII [Genebra]).

Igreja de São Quirino localizada na cidade alemã de Neuss

Igreja de São Quirino localizada na cidade alemã de Neuss

Oração de São Quirino

Em nome do Pai + do Filho + do Espírito Santo.
Ouvi a minha prece, Senhor, Vós que tendes tanto prazer em fazer o bem. Sede misericordioso e lançai os Vossos olhos sobre mim.
Que as preces dos Vossos mártires e de São Quirino intercedam em meu favor, pois sois, meu Deus todo o meu apoio e o único a quem eu posso recorrer.
Rogo-Vos por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim seja.
São Quirino, que tendes um poder particular para curar doenças nas pernas, nas orelhas e a paralisia, rogai por nós.
Rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria.

Obs.: Oração a São Quirino, pode ser invocada contra doenças das pernas, paralisia e afecções nas orelhas

por Leandro Queiroz Postado em Santos

São Orestes

São OrestesNada se sabe sobre os primeiros anos da vida de Orestes. O Mosteiro da Capadócia, onde as relíquias mortais do mártir estavam guardadas foi destruído por  hereges iconoclastas, isto é, os cristãos que destruíam as pinturas e objetos sagrados.

São OrestesComo a sepultura estava sob a construção, os dados de São Orestes nunca foram encontrados e ninguém soube ao certo a sua origem. Aceita-se que Orestes era natural de Tiana (hoje em ruínas), na Capadócia, atual Turquia, que viveu no final da Antiguidade, no século IV, e era um médico cristão.

Orestes, ao contrário dos médicos pagãos, não aceitava a magia feita por seus colegas como tratamento. Orestes cuidava de todos os seus pacientes sem distinção de raça, credo ou riqueza, aceitando, como pagamento por seus serviços profissionais, o que eles fossem capazes de dar, muitas vezes trabalhando de graça e doando roupas, alimentos e remédios para os pobres.

E muitos de seus pacientes, fascinados por sua fé e sua caridade, convertiam-se ao cristianismo, tendo entre eles até mesmo as autoridades políticas e religiosas.

Como a região era dominada pelo Império Romano de Diocleciano que perseguia os cristão, Orestes foi acusado de incitar o povo contra a idolatria. Denunciado como cristão e pregador da nova fé, Orestes não negou.

Uma narração milenar vinda da Capadócia conta seu martírio pelo oficial militar Maximino enviado pelo imperador para lidar com o cristianismo no Oriente.

São Orestes arrastado por um cavalo

São Orestes arrastado por um cavalo

Segundo a tradição, Orestes estava entre os primeiros levados a julgamento por Maximino. O promotor ofereceu ao santo riquezas, honras e renome para renunciar a Deus, mas Orestes foi inflexível.

Depois Maximino levou Orestes a um templo pagão e exigiu que ele adorasse os ídolos. Quando ele se recusou, quarenta soldados, se revezavam, um após o outro, batendo no santo mártir com cílios, com varas, com couro cru, e depois eles o atormentava com fogo.

Durante este martírio público, ele clamou que o céu lhe concedesse um prodígio capaz de cair sobre o povo, que queria trair a verdade do cristianismo. Imediatamente, foi atendido. Orestes, apenas com um sopro, fez as estátuas dos ídolos voarem como folhas mortas e as colunas do templo caírem, como se fossem de fios de palha.

Todos correram para fora do templo, e quando Orestes saiu, o próprio templo veio a baixo.

O Martírio de São Orestes

O Martírio de São Orestes

Enfurecido, Maximino ordenou que o santo mártir fosse trancado na prisão por sete dias, sem comida nem bebida, e no oitavo dia a tortura continuaria.

Oito dias depois, eles voltaram a torturar Orestes, martelando vinte pregos nas pernas do mártir, e depois o amarraram a um cavalo selvagem. Arrastado sobre as pedras, o santo mártir partiu para o Senhor em 9 de novembro de 304. 

No final, com o cadáver desfigurado, foi atirado num rio, que devolveu seu corpo refeito e coberto com uma magnífica túnica. Foi assim que as relíquias do mártir chegaram naquele antigo local, onde existiu o famoso Mosteiro da Capadócia ou de Santo Orestes.

Em 1685, São Demétrio escreveu a “Vida de São Orestes” e dela vem o pouco que se sabe sobre o santo.  Enquanto preparava o livro para ser impresso pelo Kiev Caves Lavra, ele adormeceu.

O santo mártir Orestes apareceu para ele em um sonho. Mostrou-lhe a profunda ferida no seu lado esquerdo, com os braços feridos e cortados, e as pernas, que tinha sido furadas por pregos, e disse-lhe: “Você vê, eu sofri mais tormentos para Cristo do que você descreveu”.

São Demétrio não sabia quem era aquele santo e perguntou se este era São Orestes, soldado e um dos Cinco Mártires de Sebaste. O mártir disse: “Eu não sou Orestes, que foi um dos Cinco Mártires, mas cuja vida que acabou de escrever.”

Ruínas do Mosteiro da Capadócia, onde estava as relíquias de São Orestes

Ruínas do Mosteiro da Capadócia, onde estavam as relíquias de São Orestes

por Leandro Queiroz Postado em Santos Com a tag

São Vilibrordo

Um monge beneditino, de pequena estatura, olhos profundos e vivos, mas de franzina e delicada constituição, compartilha com são Bonifácio o mérito de ter evangelizado a Germânia transrenana: é Vilibrordo, inglês da Nortúmbria, formado espiritualmente na Irlanda, na escola do abade Egberto, e em Ripon, uma verdadeira forja de santos.

Depois do insucesso da primeira missão, Vilfrido enviou à Frísia um grupo de 11 missionários, encabeçados pelo enérgico e corajoso Vilibrordo. O primeiro impacto com a região germânica teria desencorajado quem a ela tivesse chegado com outros fins que não fossem os de levar a mensagem evangélica aos pagãos.

Os 12 missionários desembarcaram na confluência do Escaut, entre brejos malsãos e guerreiros em debandada depois do vitorioso avanço de Pepino de Heristal, que, ao derrotar o rei Radbod, apossou-se da hostil região nórdica. Uma vitória providencial também para Vilibrordo, que pôde dirigir-se ao interior da Germânia e estabelecer contato com as populações pagãs.

Antes, porém, de dar início à evangelização, Vilibrordo quis ter o beneplácito do papa. A devoção ao papa será um sinal distintivo deste tenaz e leal “apóstolo”.

Ao voltar de Roma com o encorajamento de Sérgio I, Vilibrordo escolheu Antuérpia como ponto de partida para a irradiação das futuras missões. Antes de coordenar uma importante fundação, como criar uma nova diocese na Frísia, Vilibrordo dirigiu-se uma vez mais a Roma. E encontrou desta vez um novo papa, Gregório II, que o ordenou bispo com o nome de Clemente. Em 698, Vilibrordo fundou em Luxemburgo o mosteiro de Echternach, como ponto avançado das futuras expedições missionárias, que a partir daquele momento seria difícil enumerar.

Homem de ação e de oração, ele encarna o típico monge-abade-bispo beneditino, excelente organizador, com um acentuado senso da autoridade central. A ele se deve, de fato, a criação de bispos auxiliares que evitassem o fracionamento das várias Igrejas, com prejuízo de uma conjunta e mais incisiva atividade missionária. Morreu na abadia de Echternach, onde são venerados os seus restos mortais.

por Leandro Queiroz Postado em Santos Com a tag

São Leonardo de Noblac

Nascido na França do século V, Leonardo era filho de nobres, mas não quis seguir a carreira militar, preferindo ajudar ao Bispo de Rheims, São Remígio. Leonardo era afilhado do rei francês Clóvis I, que era pagão.

Certo dia, a rainha sugeriu que Leonardo invocasse a ajuda de Deus para repelir a invasão de um exercito contrário, e que estava vencendo a batalha. Ele assim o fez e a batalha modificou misteriosamente e Clóvis foi vitorioso.

São Remígio, usou este milagre para converter o Rei Clóvis e centenas de seguidores ao cristianismo, em 496.

Leonardo valeu-se de qualquer modo da amizade do rei para ter um privilégio, do qual fez amplo uso porque inspirado na caridade, e aproveitava-se dessa amizade para colocar em liberdade a prisioneiros, em sua maioria inocentes.

Leonardo iniciou uma vida de austeridade, e pregação. Seu desejo de conhecer melhor a Deus aumentou e ele entrou para o Monastério em Orleans. Quando lhe ofereceram para ser Bispo, disse preferir a vida solitária no meio de uma floresta – em vida contemplativa e assim o fez. Leonardo decidiu viver como eremita no meio de um denso bosque.

Mas a santidade tem muitos outros recursos. Assim, espalhado o rumor sobre este santo eremita e sobre suas capacidades taumatúrgicas, bastava aos prisioneiros invocar seu nome para que as correntes caíssem de seus pulsos e tornozelos.

Bem no meio da floresta de Pavum, perto de Limoges, onde o eremita havia fixado a sua morada, passou, em vez dos prisioneiros, o casal real com todo o seu séquito de cortesãos para uma partida de caça. Inútil perguntar o que foi fazer aí a rainha no último mês de gravidez. Para lá foi ela, narra o autor da Vita sancti Leonardi, por um desígnio providencial. Com efeito, a nobre soberana, colhida pelas dores do parto, teve a assistência do santo e, graças sobretudo as suas orações, o evento foi verdadeiramente alegre.

O rei mostrou-se reconhecido e prometeu doar-lhe o terreno para que construísse um mosteiro. Que área? Toda aquela que ele conseguisse delimitar percorrendo-a no dorso de um asno, em um só dia, obviamente. Leonardo, já rodeado de muito discípulos, alguns dos quais tinham sido libertados das cadeias por sua intercessão, construiu um primeiro oratório e aí escavou um poço; depois os devotos estabeleceram-se ao lado do mosteiro com suas famílias, dando origem à aldeia que leva seu nome: Saint-Leonard-de-Noblac. E o santuário continua ainda hoje a ser lugar de peregrinações.

O santo é invocado como padroeiro dos prisioneiros, mas também dos fabricantes de cadeias, de cepos, de fechos e afins. É invocado contra os bandidos, os quais, por sua vez, postos sob cadeias, poderiam recorrer a seu generoso patrocínio. Mas o invocam sobretudo as parturientes para ter um parto indolor.

As notícias sobre a vida deste santo, popularíssimo na Europa centro-setentrional, chegaram até nós por meio de uma biografia escrita cinco séculos depois de sua morte, com os inevitáveis embelezamentos legendários.

por Leandro Queiroz Postado em Santos Com a tag

Santa Isabel

Isabel (do hebraico: אֱלִישֶׁבַע / אֱלִישָׁבַע “Meu Deus jurou”; hebraico padrão: Elišévaʿ ~ Elišávaʿ, Tiberiano: ʾĔlîšéḇaʿ ~ ʾĔlîšāḇaʿ) é uma santa mencionada no Evangelho segundo Lucas como esposa do sacerdote Zacarias e mãe de João Batista.

De acordo com o texto do Evangelho, Zacarias e Isabel eram pessoas consideradas justas diante de Deus, “vivendo irrepreensivelmente em todos os mandamentos e preceitos do Senhor”. Porém, não tinham filhos porque Isabel era estéril.

Quando o casal já se encontrava em idade avançada, o anjo Gabriel apareceu a Zacarias quando este se encontrava no templo oferecendo incenso, tendo anunciado que Isabel iria ter um filho que se chamaria João.

Isabel então concebeu, tendo então se ocultado das vistas das pessoas pelo lapso de cinco meses.

No sexto mês de gestação de Isabel, sua prima Maria também recebeu uma promessa através do anjo Gabriel e concebeu do Espírito Santo e, quando esperava Jesus em seu ventre, foi visitá-la nas montanhas de Judá.

Segundo Lucas, no momento em que Maria entrou na casa de Zacarias, ao saudar sua prima, João Batista teria pulado em seu ventre e ela ficou cheia do Espírito Santo.

Quando a criança nasceu e foi circuncidada ao oitavo dia, segundo a tradição judaica, as pessoas desejavam que o menino recebesse o nome do pai. Isabel responde que o nome do filho seria João. Zacarias então confirma as palavras de Isabel escrevendo o seu nome em uma tábua, conforme o anjo havía lhe determinado.

A partir de então, a Bíblia nada mais fala a respeito da vida de Zacarias e de Isabel, tendo Lucas limitado a dizer que o João Batista “crescia, e se robustecia em espírito, e esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel” (Lc 1:80).

Contudo, a tradição do catolicismo diz que Zacarias e Isabel teriam acompanhado a educação do filho, mudando-se para o deserto e fazendo da criança um nazireu, vindo Isabel a falecer em 22 d.C. e teria sido sepultada em Hebrom, quando João teria entre 28 a 29 anos de idade.

por Leandro Queiroz Postado em Santos Com a tag

Santa Sílvia

Sílvia era italiana, nascida em Roma em torno de 520, numa família de origem siciliana de cristãos praticantes e caridosos. Os dados sobre sua infância não são conhecidos. Porém a sua adolescência coincidiu com um difícil e turbulento período histórico, o declínio do Império Romanoe a tomada do mesmo pelos bárbaros góticos.

Ela entrou para a família dos Anici em 538, quando se casou com o senador Jordão. Essa família romana era muito rica e influente, e muitos nomes forneceu para a história do senado italiano. Sílvia foi residir na casa do marido, um palácio que ficava nas colinas do monte Célio, onde ele vivia com suas duas irmãs, Tarsila e Emiliana.

O casal logo teve dois filhos. O primeiro foi Gregório, nascido em 540, e o segundo, que o próprio irmão citava com freqüência, nunca teve citado o nome. As cunhadas Tarsila e Emiliana tornaram-se santas, incluídas no calendário da Igreja, E seu primogênito foi o grande papa Gregório Magno, santo, doutor da Igreja e a glória de Roma do século VI.

Sílvia soube conduzir essa família de verdadeiros cristãos e romanos autênticos. Não permitiu que a o ambiente da Corte que freqüentavam impedisse a santificação pela fé, mantendo sempre a pureza dos costumes separada da notoriedade pública. As cunhadas são um exemplo da figura de Sílvia, mãe providente e benfeitora, que soube conciliar as exigências de uma família de político atuante, como era o marido Jordão, com o desejo de perfeição espiritual representado pelas duas cunhadas.

Por falta de notícias precisas, a santidade de Sílvia aparece refletida através daquela de seu filho. Sem dúvida, sobre são Gregório Magno o exemplo e o ensinamento da mãe foi um peso que não se pode ignorar. Embora ele tenha escrito muito pouco sobre a mãe e as tias, nas pregações costumava citar-lhes o exemplo.

Dados encontrados sobre a vida de Silvia relatam que, quando o senador Jordão morreu em 573, ela tratou de uma doença grave do filho Gregório, que já adulto atuava no clero, levando pessoalmente as refeições até sua pronta recuperação. Depois disso, entregou o palácio onde residia para que o filho o transformasse num mosteiro.

Quando Gregório não precisou mais da sua ajuda e nem de sua orientação, Sílvia retirou-se para a vida religiosa num dos mosteiros existentes fora dos muros de Roma. No qual, com idade avançada, ela morreu serenamente, num ano incerto, mas depois de 594.

O Martirológio Romano indica o dia 3 de novembro para o culto litúrgico em lembrança da memória de santa Sílvia. Em 1604, suas relíquias foram levadas para a igreja de santos André e Gregório, construída no antigo mosteiro e palácio de monte Célio, onde o papa São Gregório Magno nasceu e santa Sílvia viveu com as duas cunhadas santas.

por Leandro Queiroz Postado em Santos

São Martinho de Porres

Este humilde “filho de pai desconhecido”, recusado pelo pai porque de pele escura (sua mãe era uma negra do Panamá, de origem africana), representa a desforra da santidade sobre os preconceitos humanos. Mesmo sendo filho de um fidalgo espanhol, Martinho foi criado em pobreza extrema pela mãe até os 8 anos, quando o pai, arrependido de o ter abandonado, levou-o consigo, ainda que por pouco tempo, para viver no Equador.

Abandonado de novo a si mesmo, recebeu todavia do pai uma magra pensão para poder pagar a mensalidade da escola. Aos 15 anos foi aceito no convento dominicano do Rosário, em Lima, mas apenas na qualidade de oblato, isto é, como terciário, ou melhor, como doméstico, visto que só teve a missão de manter limpo o convento. Martinho é de fato representado com uma vassoura. Teve ainda o encargo de cortar os cabelos dos frades e por este seu serviço prestado à comunidade Paulo VI o proclamou, em 1966, padroeiro dos barbeiros e cabeleireiros.

Finalmente, seus superiores deram-se conta de que Martinho tinha outros dotes e o admitiram ao noviciado e depois à profissão solene, como irmão cooperador. Não mudaram, entretanto, suas funções, e Martinho continuou a ser a gata-borralheira do convento, até que o eco de sua santidade se difundiu por todo o país.

Entre os outros extraordinários carismas, como os êxtases e as profecias, teve o dom da bilocação. Foi visto na China, no Japão, na África, confortando missionários extenuados ou perseguidos, sem nunca, entretanto, se ter afastado de Lima. Operou autênticos milagres durante a epidemia de peste, curando todos os que acorriam a ele pedindo ajuda. Curou os 60 confrades atingidos pelo morbo. Voltava sua atenção a todas as criaturas, incluindo os animais.

Continuou, com inalterada simplicidade, a desempenhar os serviços reservados aos irmãos leigos, mesmo quando a ele recorriam teólogos e autoridades civis, para pedir conselho. Morreu em 3 de novembro de 1639. Foi canonizado por João XXIII em 6 de maio de 1962.

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São Quintino

As notícias sobre o apóstolo da Picardia são duvidosas. Certa é, de qualquer maneira, sua existência e o martírio sofrido em Vermand, cidade que hoje leva seu nome, Saint-Quintin, às margens do rio Somme.

Segundo a tradição — reconstruída várias vezes e enriquecida de episódios lendários —, Quintino era romano, quinto filho de uma família numerosa (fato insólito no baixo império) e cristã.

Partiu de Roma com alguns companheiros para evangelizar a Gália. Com ele estava Luciano, também mártir e santo. Os dois dividiram entre si o território da Picardia para evangelizar. Luciano escolheu Beauvais; Quintino estabeleceu-se em Amiens e a partir daí difundiu a mensagem evangélica nas regiões circunvizinhas.

Fê-lo com muito sucesso, até o momento em que o prefeito romano julgou oportuno detê-lo e encerrá-lo na prisão, numa tentativa de fazê-lo mudar de opinião, talvez, devolvendo-o a Roma. Mas Quintino não era do gênero dos que se furtam a compromissos e o prefeito condenou-o à morte.
Como romano, o obstinado missionário merecia o privilégio — se tal cabe dizer — da decapitação. Mas como cristão (e os cristãos eram acusados de ateísmo por causa de sua recusa de adorar os deuses de Roma), teve uma morte dolorosa, precedida de várias torturas. Tudo isso durante o império de Diocleciano ou de Maximiano (a tradição não é clara).

A lenda se desdobra a seguir em outras particularidades. O corpo de Quintino foi lançado a um rio em cujo fundo teria permanecido cerca de 50 anos, até que as orações de uma mulher piedosa o fizeram vir à tona, ainda intacto. Ou, mais provavelmente — retifica outra tradição —, o corpo de são Quintino teria sido reencontrado por um santo monge que lhe deu digna sepultura, erigindo sobre sua tumba um mosteiro a ele dedicado, perto de Vermand, lugar de peregrinações populares desde a alta Idade Média.

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São Frumêncio

A história do santo de hoje se entrelaça com a conversão de uma multidão de africanos ao amor de Cristo e à Salvação. São Frumêncio nasceu em Liro da Fenícia. Quando menino, juntamente com o irmão Edésio, acompanhava um filósofo de nome Merópio, numa viagem em direção às Índias. A embarcação, cruzando o Mar Vermelho, foi assaltada e só foram poupados da morte os dois jovens, Frumêncio e Edésio, que foram levados escravos para Aksum (Etiópia) a serviço da Corte.

Deste mal humano, Deus tirou um bem, pois ao terem ganhado o coração do rei Ezana com a inteligência e espírito de serviço, fizeram de tudo para ganhar o coração da África para o Senhor. Os irmãos de ótima educação cristã, começaram a proteger os mercadores cristãos de passagem pela região e, com a permissão de construírem uma igrejinha, começaram a evangelizar o povo. Passados quase vinte anos, puderam voltar à pátria e visitar os parentes: Edésio foi para Liro e Frumêncio caminhou para partilhar com o Patriarca de Alexandria, Santo Atanásio, as maravilhas do Ressuscitado na Etiópia e também sobre a necessidade de sacerdotes e um Bispo. Santo Atanásio admirado com os relatos, sabiamente revestiu Frumêncio com o Poder Sacerdotal e nomeou-o Bispo sobre toda a Etiópia, isto em 350.

Quando voltou, Frumêncio foi acolhido com alegria como o “Padre portador da Paz”. Continuou a pregação do Evangelho no Poder do Espírito, ao ponto de converterem o rei Ezana, a rainha, e um grande número de indígenas, isto pelo sim dos jovens irmãos e pela perseverança de Frumêncio. Quase toda a Etiópia passou a dobrar os joelhos diante do nome que está acima de todo o nome: Jesus Cristo.

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