São Quintino

As notícias sobre o apóstolo da Picardia são duvidosas. Certa é, de qualquer maneira, sua existência e o martírio sofrido em Vermand, cidade que hoje leva seu nome, Saint-Quintin, às margens do rio Somme.

Segundo a tradição — reconstruída várias vezes e enriquecida de episódios lendários —, Quintino era romano, quinto filho de uma família numerosa (fato insólito no baixo império) e cristã.

Partiu de Roma com alguns companheiros para evangelizar a Gália. Com ele estava Luciano, também mártir e santo. Os dois dividiram entre si o território da Picardia para evangelizar. Luciano escolheu Beauvais; Quintino estabeleceu-se em Amiens e a partir daí difundiu a mensagem evangélica nas regiões circunvizinhas.

Fê-lo com muito sucesso, até o momento em que o prefeito romano julgou oportuno detê-lo e encerrá-lo na prisão, numa tentativa de fazê-lo mudar de opinião, talvez, devolvendo-o a Roma. Mas Quintino não era do gênero dos que se furtam a compromissos e o prefeito condenou-o à morte.
Como romano, o obstinado missionário merecia o privilégio — se tal cabe dizer — da decapitação. Mas como cristão (e os cristãos eram acusados de ateísmo por causa de sua recusa de adorar os deuses de Roma), teve uma morte dolorosa, precedida de várias torturas. Tudo isso durante o império de Diocleciano ou de Maximiano (a tradição não é clara).

A lenda se desdobra a seguir em outras particularidades. O corpo de Quintino foi lançado a um rio em cujo fundo teria permanecido cerca de 50 anos, até que as orações de uma mulher piedosa o fizeram vir à tona, ainda intacto. Ou, mais provavelmente — retifica outra tradição —, o corpo de são Quintino teria sido reencontrado por um santo monge que lhe deu digna sepultura, erigindo sobre sua tumba um mosteiro a ele dedicado, perto de Vermand, lugar de peregrinações populares desde a alta Idade Média.

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São Frumêncio

A história do santo de hoje se entrelaça com a conversão de uma multidão de africanos ao amor de Cristo e à Salvação. São Frumêncio nasceu em Liro da Fenícia. Quando menino, juntamente com o irmão Edésio, acompanhava um filósofo de nome Merópio, numa viagem em direção às Índias. A embarcação, cruzando o Mar Vermelho, foi assaltada e só foram poupados da morte os dois jovens, Frumêncio e Edésio, que foram levados escravos para Aksum (Etiópia) a serviço da Corte.

Deste mal humano, Deus tirou um bem, pois ao terem ganhado o coração do rei Ezana com a inteligência e espírito de serviço, fizeram de tudo para ganhar o coração da África para o Senhor. Os irmãos de ótima educação cristã, começaram a proteger os mercadores cristãos de passagem pela região e, com a permissão de construírem uma igrejinha, começaram a evangelizar o povo. Passados quase vinte anos, puderam voltar à pátria e visitar os parentes: Edésio foi para Liro e Frumêncio caminhou para partilhar com o Patriarca de Alexandria, Santo Atanásio, as maravilhas do Ressuscitado na Etiópia e também sobre a necessidade de sacerdotes e um Bispo. Santo Atanásio admirado com os relatos, sabiamente revestiu Frumêncio com o Poder Sacerdotal e nomeou-o Bispo sobre toda a Etiópia, isto em 350.

Quando voltou, Frumêncio foi acolhido com alegria como o “Padre portador da Paz”. Continuou a pregação do Evangelho no Poder do Espírito, ao ponto de converterem o rei Ezana, a rainha, e um grande número de indígenas, isto pelo sim dos jovens irmãos e pela perseverança de Frumêncio. Quase toda a Etiópia passou a dobrar os joelhos diante do nome que está acima de todo o nome: Jesus Cristo.

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São Narciso

O santo de hoje, São Narciso, foi Bispo de Jerusalém e, quando se deu tal fato, devia ter quase cem anos de idade. Narciso não era judeu e teria nascido no ano 96. Homem austero, penitente, humilde, simples e puro, sabe-se que presidiu com Teófilo de Cesareia a um concílio onde foi aprovada a determinação de se celebrar sempre a Páscoa num Domingo.

Eusébio narra que em certo dia de festa, em que faltou o óleo necessário para as unções litúrgicas, Narciso mandou vir água de um poço vizinho, e com sua bênção a transformou em óleo. Conta também as circunstâncias que levaram Narciso a demitir-se das suas funções.

Para se justificarem de um crime, três homens acusaram o Bispo Narciso de certo ato infame. “Que me queimem vivo – disse o primeiro – se eu minto”. “E a mim, que me devore a lepra”, disse o segundo. “E que eu fique cego”, acrescentou o terceiro. O desgosto de ser assim caluniado despertou em Narciso o seu antigo desejo pelo recolhimento e, por isso, sem dizer para onde ia, perdoou os caluniadores e saiu de Jerusalém em direção ao deserto. Considerando-o definitivamente desaparecido, deram-lhe por sucessor a Dio, ao qual por sua vez sucederam Germânio e Górdio. Todavia, os três caluniadores não tardaram a sofrer os castigos que em má hora tinham invocado, pois o primeiro pereceu num incêndio com todos os seus, o segundo morreu de lepra e o terceiro cegou à força de tanto chorar o seu pecado.

Alguns anos depois, Narciso reapareceu na cidade episcopal. Nunca tinha sido posta em dúvida a santidade do seu procedimento.; por isso, foi com imensa alegria que Jerusalém recebeu seu antigo pastor. Segundo diz Eusébio, continuou Narciso a governar a diocese até a idade de 119 anos, auxiliado por um coadjutor chamado Alexandre. Faleceu cerca do ano de 212.

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São Judas Tadeu

São Judas, filho de Cleophas que morreu martirizado, ( Cleophas era irmão de São José) e de Maria Cleophas,( irmã de Nossa Senhora)  assim era primo irmão de Jesus e diziam que se parecia muito com Ele.

Era irmão de São Tiago, o menor e de São Simão, o apóstolo .

Alguns especialistas acham que São Simão, o apóstolo, era o noivo do casamento no qual Jesus transformou a água em vinho (Bodas de Canã). São Judas assistiu de perto o milagre e estudiosos dizem que isto foi a causa de Judas Thadeu se tornar um seguidor quase fanático de Jesus. Lucas também chama Judas o “Zealote”(o fanático) (Luc 6:15). Outros escolares acham que o “zealote” seria zeloso e não fanático devido ao fervor com que São Judas Thadeu seguia a lei judaica e mais tarde os ensinamentos de Jesus.

Ele é o autor do menor dos livros do Novo Testamento :
“A carta de Judas”; embora no versículo 17 desta carta, deixa uma dúvida de que talvez os apóstolos de Jesus já haviam morrido.
A carta de Judas foi escrita por um homem apaixonado e preocupado com a pureza da fé cristã e a boa reputação do povo cristão. O escritor diz que ele planejava escrever um carta diferente, mas ouvindo os pontos de vista errados de falsos professores da comunidade cristã ele urgentemente escreveu esta carta para alertar a Igreja para acautelar-se contra eles.

A tradição ocidental baseada nos contos apócrifos da “Paixão de Simão e Judas” diz que após pregarem no Egito, Simão juntou-se a Judas e foram em missões para a Pérsia. Lendas do século sexto descrevem o martírio de ambos Simão e Judas na Pérsia, na cidade de Sufian(Siani); embora a tradição oriental diz que Simão morreu pacificamente em Edessa.

Como São Thadeu, Judas tem sido confundido também com Santo Addai na Mesopotania . Vários estudiosos das escrituras, acreditam que Judas foi morto com uma serra ou um facão.

Na arte litúrgica da Igreja São Judas Thadeu é mostrado como um homem de meia idade com uma serra ou um livro ou um barco. Algumas vezes ele é mostrado segurando um remo e algumas vezes um peixe.

Suas relíquias estariam em Rheims e Touluse ,França.

Ele é venerado como um dos mais populares santos da Igreja e é considerado o patrono das causas perdidas. No Brasil, só perde em popularidade para São Jorge, mas alguns observadores ponderam que São Jorge é o mais popular, devido a invocações em práticas nada cristãs.

Sua festa é celebrada no dia 28 de outubro.

São Frumêncio

Frumêncio é o primeiro bispo missionário na Etiópia, de onde é considerado o apóstolo, junto com o irmão Edésio. Sua história poderia oferecer a trama a um interessante romance de aventuras.
No tempo do imperador Constantino, um filósofo voltava a Tiro de uma viagem à Índia, acompanhado de seus discípulos e de dois meninos, Frumêncio e Edésio. A nau atracou no porto de Aulis, nas proximidades de Massaua, e pouco depois foi atacada por uma horda de etíopes que trucidaram todos os passageiros. Salvaram-se apenas os dois meninos, que se tinham apartado para ler um livro debaixo de uma árvore. Jamais um livro foi tão precioso…

Quando se deram conta dos dois meninos, os etíopes, já pagos pelo butim, conduziram-nos como escravos a Axum, e o rei os reteve a seu serviço. Depois da morte do soberano, a rainha confiou a Frumêncio a educação do filho.

Os dois irmãos fizeram-se amar e obtiveram a permissão para erguer uma igreja junto ao porto; depois puderam voltar a sua pátria para pedir a Atanásio, bispo de Alexandria do Egito, o envio de um bispo e de sacerdotes.

Atanásio consagrou bispo o próprio Frumêncio e o mandou de volta à Etiópia com alguns sacerdotes. Surgia assim a primeira comunidade cristã na África negra, destinada a expandir-se e a manter-se firme mesmo durante a tempestade islâmica que levou de roldão o cristianismo em quase toda a África.

Frumêncio foi acolhido com alegria pelos etíopes de Axum e pelo próprio jovem rei Ezana, que esteve entre os primeiros a receber o batismo. Também os súditos seguiram o exemplo do rei. Frumêncio — que os etíopes chamam “abba Salama”, isto é, o portador de luz — é justamente incluído entre os maiores missionários cristãos.

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Santo Evaristo

Santo EvaristoNo atual Anuário dos Papas encontramos Evaristo em pleno comando da Igreja Católica, como quarto sucessor de Pedro, no ano 97.

Era o início da era cristã, portanto é muito compreensível que haja tão poucos dados sobre ele.

Enquanto do anterior, papa Clemente, temos muitos registros, até de próprio punho, como a célebre carta endereçada aos cristãos de Corinto, do papa Evaristo nada temos escrito por ele mesmo, as poucas informações vieram de Irineu e Eusébio, dois ilustres e expressivos santos venerados no mundo católico.

Naqueles tempos, o título de “papa” era dado a toda e qualquer autoridade religiosa, passando a designar o chefe maior da Igreja somente no século VI. Por essa razão as informações, às vezes, se contradizem.

Papa EvaristoNão se sabe quando Evaristo nasceu, mas sabe-se que era judeu-grego de nascimento. Seu pai chamava-se Judas, originário da cidade de Belém, mas acabou fixando residência na Grécia, mas precisamente em Antioquia, segundo santo Eusébio.

Educou seu filho na doutrina e princípios judaicos. Evaristo manifestou, desde a mais tenra infância, boas disposições pela virtude e pelas letras, fato que seu pai observou e cuidou de cultivar com dedicação. Assim foi progredindo Evaristo nas ciências, de forma que tornou-se pessoa de excelentes talentos, dentro dos seus puros e inocentes costumes.

Não se sabe as circunstâncias e a época em que se converteu ao cristianismo e nem a época precisa em que foi para Roma, mas passou a ser conhecido como um membro do clero que destacou-se rapidamente em santidade, reconhecida por toda a Roma. Era um presbítero conhecido por acender o fervor e devoção no coração dos seus fiéis, pelos seus exemplos de virtude e caridade cristã.

Sucedeu a São Clemente no trono pontifício, quando este foi exilado na Táurica, nos tempos da perseguição do imperador Domiciano ou, mais provavelmente, de Trajano.

Imagina-se se Evaristo deve ser considerado papa de verdade (e não apenas um “vice”) do ano 97, quando Clemente I estava em exílio; ou só a partir de 101, ano no qual Clemente morre mártir em Crimeia (notícia de Eusébio de Cesareia em sua Storia Ecclesiastica). Para Eusébio, é claro: Clemente, depois de nove anos de pontificado (88-97), “…passou o sacro ministério para Evaristo“.

Apesar de resistir em assumir o cargo, após declarar publicamente sua indignidade, acabou sendo aclamado pelo clero e pelo povo como merecedor de tão nobre missão.

Logo que assumiu a cadeira de São Pedro, aplicou todo o seu desvelo para remediar as necessidades da Santa Igreja, perseguida por toda a parte, num calamitoso tempo em que a chama da heresia tentava debelar-se em território sagrado. O espírito das trevas valia-se de todos os artifícios para derramar o veneno de seus erros, particularmente, entre os fiéis de Roma.

Santo Evaristo 2Porém, como o Divino Mestre tinha empenhado sua palavra, de que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Sua Igreja, dispôs, em sua amorosa providência, que ocupasse Santo Evaristo a cátedra da verdade, a fim de deter a inundação de iniquidade e para dissipar esta multidão de inimigos.Com efeito, tão bem cuidou do aprisco que o Senhor lhe havia confiado, que todos os fiéis de Roma, conservaram sempre a pureza da fé.Ainda que a maior parte dos heresiarcas tenham concorrido para perverter a capital, o zelo, as instruções e a solicitude pastoral do Santo Padre foram preservativos tão eficazes, que o veneno do erro jamais pôde seduzir o coração de um só fiel sequer.

Foi de sua autoria a divisão de Roma em vinte e cinco dioceses, a criação do primeiro Colégio dos Cardeais. Ele governou a Igreja durante nove anos, nos quais promoveu três ordenações, consagrando dezessete sacerdotes, nove diáconos e quinze bispos, destinados a diferentes paróquias (os antepassados ​​das paróquias modernas).

Essas paróquias, confiadas a  diversos presbíteros,  não eram  na época igrejas públicas,  mas oratórios de casas particulares, onde  se congregavam os cristãos para ouvir a Palavra de Deus e  para assistir à celebração dos divinos mistérios.  Nas portas  destes oratórios, eram  afixadas cruzes para que fossem diferenciados dos locais profanos públicos, que eram distinguidos por estátuas de imperadores. Também,  por decreto, definiu que o matrimônio fosse celebrado publicamente pelo sacerdote.

Seu infatigável  zelo, fazia com que visitasse  as paróquias pessoalmente,  sempre preocupado com a conservação de seu rebanho na pureza da fé. Laboriosamente cuidava da causa das crianças e  dos escravos, com solicitude e empenho.

Ainda que o imperador Trajano fosse um dos melhores príncipes dos gentios,  quer por sua paciência como por sua moderação, nem por isto receberam os cristãos melhor tratamento. Apesar de não ter firmado novo edito contra a Santa Religião,  nutria mortal aversão aos cristãos, não porque os conhecesse, senão pelos horrorosos retratos que cortesãos idólatras e sacerdotes de ídolos, pintavam na mente do imperador.  E bastava esta aversão para excitar contra os cristãos, o povo e os magistrados.

Parece que também foi ele que instituiu o casamento em público, com a presença do sacerdote.

Papa Evaristo morreu em 26 de outubro de 107. Uma tradição muito antiga afirma que ele teria sido mártir da fé durante a perseguição imposta pelo imperador Trajano, e que depois seu corpo teria sido abandonado perto do túmulo do apóstolo Pedro. 

Embora a fonte não seja precisa, assim sua morte foi oficialmente registrada no Livro dos Papas, em Roma.

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Santo Antônio de Sant’Anna Galvão (Frei Galvão)

Frei GalvãoO brasileiro Antônio de Sant’Anna Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, São Paulo. Não se sabe ao certo o dia do seu nascimento e local exato de batismo, supõe-se que tenha sido batizado na Matriz de Santo Antonio em Guaratinguetá, mas os registros de batismo da igreja deste período estão desaparecidos. Têm-se atribuído 10 de maio como data de seu nascimento, mas sem nenhuma comprovação documental.

Seu pai era Antônio Galvão de França, capitão-mor da província. Natural de Faro (Portugal) e ativo no mundo do comércio, França pertencia à Ordem Terceira de São Francisco e era conhecido por sua generosidade.

Santo Antonio de Sant Anna GalvaoSua mãe era Isabel Leite de Barros, filha de fazendeiros de Pindamonhangaba e e membro da família do famoso bandeirante Fernão Dias Pais, conhecido como o “caçador de esmeraldas”.

Antônio era o quarto dos onze filhos que o casal teve. Seus pais eram cristãos caridosos, exemplares e transmitiram esse legado ao filho. Galvão passou toda sua infância na casa que se situava na esquina da Rua do Hospital com a Rua do Teatro (atualmente Ruas Frei Galvão e Frei Lucas, respectivamente).

Em 1752, quando tinha 13 anos, Antônio foi enviado para estudar ciências humanas com os jesuítas, ao lado do irmão José, que já estava no Seminário de Belém, em Cachoeira, na Bahia. Desse modo, na sua alma estava plantada a semente da vocação religiosa.

Antônio perderia prematuramente sua mãe, em 1755; ela ainda tinha 38 anos. Também conhecida por sua generosidade, Isabel teria doado todas suas roupas aos pobres à época de sua morte.

Ele aspirava se tornar um padre jesuíta, mas a perseguição anti-jesuíta liderada por Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, fez com que ele se mudasse para um convento franciscano em Taubaté, em 1756, seguindo o conselho do pai.

Em 15 de abril de 1760, aos 21 anos, Antônio decidiu ingressar na Ordem Franciscana, no Convento de São Boaventura de Macacu, em Itaboraí, Rio de Janeiro. Lá, ele adotou o nome religioso de Antônio de Sant’Ana Galvão em homenagem à devoção de sua família a Santa Ana.

Imagem do santo na Matriz de Guaratinguetá

Imagem do santo na Matriz de Guaratinguetá

Durante o noviciado, Galvão se tornou conhecido por sua piedade, zelo e virtudes exemplares. Galvão fez sua profissão solene em 16 de abril de 1761, assumindo o voto de defender o título de Imaculada da Virgem Maria, ainda considerada uma doutrina polêmica à época.

Sua educação no seminário tinha sido tão esmerada que, após um ano, recebeu as ordens sacerdotais, em 1762. Uma deferência especial do papa, porque ele ainda não tinha completado a idade exigida.

Foi transferido para o Convento de São Francisco na cidade de São Paulo, onde continuou seus estudos em teologia e filosofia. Durante a jornada do Rio de Janeiro para São Paulo, fez uma breve parada em Guaratinguetá para celebrar sua primeira missa, realizada na Matriz de Santo Antônio, onde ele havia sido batizado.

Em 1768, foi nomeado pregador e confessor do Convento das Recolhidas de Santa Teresa – considerado um cargo importante naquela época – ouvindo e aconselhando a todos. Destacou-se de tal forma que a Câmara Municipal lhe considerou o “novo esplendor do Convento“.

Em 1770, foi convidado para fazer parte da Academia Paulista de Letras, chamada de “Academia dos Felizes“. Na segunda sessão literária, realizada em março de 1770, Galvão declamou com sucesso, em latim, dezesseis peças de sua autoria, todas dedicadas a Santa Ana. Declamou também dois hinos, uma ode, um ritmo e doze epigramas. Suas composições são bem metrificadas e dotadas de profundo sentimento religioso e patriótico.

Entre suas penitentes encontrou irmã Helena Maria do Sacramento, figura que exerceu papel muito importante em sua obra posterior.

Monumento a frei Galvão, em Guaratinguetá

Monumento a frei Galvão, em Guaratinguetá

Irmã Helena era uma mulher de muita oração e de virtudes notáveis. Ela relatava suas visões ao frei Galvão. Nelas, Jesus lhe pedia que fundasse um novo Recolhimento para jovens religiosas, o que era uma tarefa difícil devido à proibição imposta pelo Marquês de Pombal em sua perseguição à Ordem dos jesuítas.

Galvão, o confessor dela, estudou essas mensagens e se consultou com os outros religiosos, que as reconheceram como válidas e sobrenaturais.

Contrariando essa lei, frei Galvão, auxiliado pela irmã Helena, fundou, em 2 de fevereiro de 1774, o Recolhimento de Nossa Senhora da da Luz, em São Paulo. Era baseado na Ordem da Imaculada Conceição e se tornou um lar para meninas que desejavam viver uma vida religiosa sem fazer votos.

Em 23 de fevereiro de 1775 morreu irmã Helena. E os problemas com a lei de Pombal não tardaram a aparecer.

O convento foi fechado, mas frei Galvão manteve-se firme na decisão, mesmo desafiando a autoridade do marquês. As freiras se recusaram a abandonar o local e, finalmente, devido à pressão popular, o convento foi reaberto e o frei ficou livre para continuar sua obra.

Posteriormente, com o crescente número de novas irmãs, a construção de mais espaço de convivência se tornou necessária. Galvão demorou 28 anos para construir um novo convento e uma igreja, sendo esta última inaugurada em 15 de agosto de 1802.

Além das obras de construção e dos deveres dentro e fora de sua Ordem, Galvão se comprometeu também com a formação das irmãs. Os estatutos que ele escreveu para elas eram um guia para a vida interior e para a disciplina religiosa.

Em 1781, Galvão foi nomeado mestre dos noviços em Macacu. Entretanto, as irmãs e o Bispo de São Paulo, Manuel da Ressurreição, recorreram ao superior provincial, escrevendo-lhe que “nenhum dos habitantes desta cidade será capaz de suportar a ausência deste religioso por um único momento”.

Oracao de Frei galvaoComo resultado, ele foi mandado de volta para São Paulo. Mais tarde, em 1798, Galvão foi nomeado guardião do Convento de São Francisco, sendo reeleito em 1801.

Quando as coisas pareciam estar mais calmas, uma outra intervenção do governo trouxe uma nova provação para Galvão. O capitão-mor sentenciou um soldado à morte por ter ofendido a seu filho levemente, e o sacerdote foi obrigado a se exilar por ter defendido o soldado. Mais uma vez, a pressão popular conseguiu revogar a ordem contra o padre.

Em 1808, Galvão teria instituído a devoção a Nossa Senhora das Brotas em Piraí do Sul durante viagem missionária ao Paraná. Galvão, ao chegar às margens do rio Piraí, teria decidido passar alguns dias no povoado, se hospedando na casa de Ana Rosa Maria da Conceição.

Antes de ir embora, deixou de presente a ela uma estampa de Nossa Senhora das Barracas. Ana Rosa colocou a lembrança numa moldura de madeira e fazia suas orações diante da imagem. Ficou viúva, se casou de novo e se mudou de endereço. Durante a mudança, a estampa se perdeu.

Algum tempo depois, passando por uma região onde havia ocorrido um incêndio, ela encontrou o quadro entre as cinzas e os brotos da vegetação. A moldura havia se queimado, mas a imagem estava apenas chamuscada. O fato foi interpretado como um milagre e a notícia se espalhou pelo povoado. Como o povo já não se lembrava do nome original da imagem, rebatizaram-na de Nossa Senhora das Brotas e erigiram uma capela em sua homenagem.

Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, fundou o Recolhimento de Santa Clara, em Sorocaba. Lá, permaneceu onze meses para organizar a comunidade e dirigir os trabalhos da construção da Casa. Nesse meio tempo, ele recebeu diversas nomeações, até a de guardião do Convento de São Francisco, em São Paulo.

Com a saúde enfraquecida, recebeu autorização especial para residir no Recolhimento da Luz. Durante sua última enfermidade, frei Galvão foi morar num pequeno quarto, ajudado pelas religiosas que lhe prestavam algum alívio e conforto.

Ele faleceu com fama de santidade em 23 de dezembro de 1822. Frei Galvão, a pedido das religiosas e do povo, foi sepultado na Igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construíra.

Depois, o Recolhimento do frei Galvão tornou-se o conhecido Mosteiro da Luz, local de constantes peregrinações dos fiéis, que pedem e agradecem graças por sua intercessão.

Mosteiro da Luz, antigo Recolhimento da Luz, fundado por Frei Galvão

Mosteiro da Luz, antigo Recolhimento da Luz, fundado por Frei Galvão

Na época de seu enterro, sua fama de santo já havia se espalhado por todo Brasil, sendo que os frequentadores de seu velório, desejosos em guardar uma relíquia sua, foram cortando pedaços de seu hábito, que ficou reduzido até a altura dos joelhos de Galvão. Como ele possuía somente aquele hábito, foi sepultado com o de outro frade, que ficou igualmente curto. A primeira lápide do túmulo de Galvão teria tido o mesmo destino de sua batina, sendo pouco a pouco levada pelos devotos. As pedras da lápide eram colocadas em copos com água para tratar os enfermos.

Galvão era procurado pelo seu alegado poder de curar doenças numa época em que os recursos médicos eram escassos. Numa dessas ocasiões, escreveu num pedaço de papel uma frase em latim do Ofício de Nossa Senhora (“Após o parto, permaneceste virgem: Ó Mãe de Deus, intercedei por nós”). Em seguida, enrolou o papel no formato de uma pílula e deu-o a uma jovem cujas fortes cólicas renais estavam colocando sua vida em risco. Depois que ela tomou a pílula a dor cessou imediatamente e ela expeliu uma grande quantidade de cálculo renal.

Confecção das pílulas de Frei Galvão

Confecção das pílulas de Frei Galvão

Em outra ocasião, um homem pediu a Galvão que ajudasse sua esposa, que estava passando por um parto difícil. Galvão fez com que ela tomasse a pílula de papel, e a criança nasceu rapidamente, sem maiores complicações.

A história das pílulas se espalhou rapidamente e Galvão teve que ensinar às irmãs do Recolhimento como fabricá-las, o que elas fazem até os dias de hoje. Elas são distribuídas gratuitamente para cerca de 300 fiéis diariamente.

Frei Galvão foi beatificado pelo papa João Paulo II em 25 de outubro de 1998, e canonizado em 11 de maio de 2007 pelo papa Bento XVI, em São Paulo, tornando-se o primeiro santo nascido no Brasil.

A postuladora junto à Santa Sé que obteve o título de santo para frei Galvão foi a irmã Célia Cadorin, da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Nesse trabalho teve grande apoio do cardeal arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns.

Quase um século depois, o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência tornar-se-ia um “patrimônio cultural da humanidade“, por decisão da UNESCO.

por Leandro Queiroz Postado em Santos Com a tag

Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria ClaretO catalão Antônio Maria Claret, nasceu em 23 de dezembro de 1807 como Antoni María Claret i Clará, na cidade de Sallent, na Catalunha (atual Espanha).

Antônio era o quinto dos dez filhos de um tecelão de Sallent. Chegou a ser um excelente trabalhador de tear, que aprendeu a usar na fábrica de seu pai e posteriormente em Barcelona.

Um dia, aos 22 anos, quando assistia à missa escutou as palavras do Evangelho: De que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, se finalmente perde a sua alma?, o que lhe causou uma profunda impressão.

Sentia-se atraído pela vida contemplativa e queria tornar-se membro da Ordem dos Cartuxos (uma ordem religiosa católica semi-eremítica de clausura monástica e de orientação puramente contemplativa).

Antônio Maria ClaretDiante desta impressão busca conselho com o Padre Pablo Amigó da Congregação do Oratório de São Filipe Neri, que o aconselhou a não tornar-se cartuxo e nele intuiu grandes dotes de homem de ação. Depois de diferentes sinais decide não ingressar nesta ordem religiosa.

Ordenou-se sacerdote em 1835, em Solsona (Catalunha) e estabeleceu contato com a Propaganda Fide (congregação que ocupa-se das questões referentes à propagação da fé católica no mundo inteiro) e com os jesuítas, mas teve de interromper o noviciado por motivo de doença.

Então, decidiu ser missionário na própria pátria e, para dar uma forma mais estável e incisiva à própria obra, fundou uma congregação que se dedicasse particularmente à imprensa católica e à alfabetização — primeiro e fundamental passo para a elevação material do povo – a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria.

Os missionários filhos do Imaculado Coração de Maria (conhecidos com o nome de Claretianos) têm atualmente 300 casas espalhadas por todo o mundo. O Carisma era evangelizar todos os setores, por meio da caridade de Cristo que constrangia, por isso dizia: “Não posso resistir aos impulsos interiores que me chamam para salvar almas. Tenho sede de derramar o meu sangue por Cristo!”.

Antônio Maria Claret tinha o dom da profecia e fez muitos milagres. Também fundou o Instituto Apostólico para Treinamento Imaculada Conceição, ou as Irmãs Clarencianas.

 Oracao a Santo Antonio Maria ClaretMal tinha fundado a Congregação, o fundador teve de aceitar a nomeação como arcebispo de Cuba, então sob o domínio espanhol, em 1850. Conta-se que ao chegar às terras cubanas foi logo visitar e consagrar o apostolado à Nossa Senhora do Cobre.

Ali criou diversas instituições para apoiar o desenvolvimento humano, principalmente dos mais pobres. Com os amigos, contribuiu para o desenvolvimento agrícola da Ilha e foi um humanista que denunciou os atos de racismo e as injustiças sociais.

Foi um bispo-missionário. Viajou por toda a parte, visitou todas as cidades e vilas de Cuba, crismou a 100.000 pessoas, casou a 9 mil casais e regularizou 3 mil casamentos.

Finalizou, em apenas seis anos, numerosas obras no campo social, com escolas agrícolas; escreveu ele próprio os livros para ensinar os insulares a cultivar os campo,  que chegaram a 144 obras.

Começou a escrever nos finais de 1861 a narração da sua vida por ordem expressa do Padre José Xifré e a concluiu em 21 de maio de 1862. Está dividida em três partes, que abarcam desde o seu nascimento até maio de 1862. Posteriormente, escreveu uma “continuação” que abrange os anos de 1862 a 1865.

Tanto zelo lhe atraiu também inimizades, e depois de ter sofrido um grave atentado, em 1857, foi chamado de volta à pátria porque os soberanos da Espanha o quiseram como conselheiro e confessor de Isabel II de Espanha. Foi nomeado arcebispo de Trajanópolis (“in partibus infidelium”).

Urna com as relíquias do santo

Urna com as relíquias do santo

Em 1869 participou do primeiro Concílio Vaticano.

Com a rainha espanhola esteve também em Lisboa, em dezembro de 1866. E aí, depois de pregar em várias igrejas da capital, foi agraciado pelo rei D. Luís I de Portugal com a Cruz da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

 Ao estalar a Revolução de Setembro de 1868 na Espanha refugia-se com a família real no mosteiro cisterciense de Fontfroide, na cidade de Nardona, na França. Aí o bispo fundou a Academia de São Miguel para os artistas.

Morreu no mosteiro de Fontfroide em 24 de outubro de 1870.

Os seus restos mortais foram transferidos para a Igreja dos Missionários Claretianos em Vic, na Espanha, a primeira Casa da Congregação fundada por ele em 1849, onde são venerados até hoje.

Pelo seu amor ao Imaculado Coração de Maria e pelo seu apostolado do Rosário, tem uma estátua de mármore no interior da Basílica de Fátima.

Foi beatificado em 1934. Foi canonizado pelo Papa Pio XII, no dia 7 de maio de 1950. Sua festa é celebrada no dia de sua morte, 24 de outubro. É invocado contra assaltos e sequestros.

Igreja dos Missionários Claretianos

Igreja dos Missionários Claretianos

por Leandro Queiroz Postado em Santos Com a tag

São João de Capistrano

João de CapistranoFilho de barão alemão e de mãe italiana dos Abruzos, João nasceu em 24 de junho de 1386 no vilarejo de Capestrano, na Itália

João resumia em si a tenacidade do povo germânico e a desenvoltura dos mediterrâneos.

Foi infatigável organizador de obras de caridade, mensageiro de paz, mas também animador das tropas cristãs que combatiam às portas de Belgrado contra os invasores turcos.

“Seja avançando, seja retrocedendo, seja golpeando ou sendo golpeados”, gritava, com sua voz estentórica e sua longa cabeleira loira, que “fazia uma bela dança”, “invocai o nome de Jesus. Só nele há salvação!”

João de CapistranoEm razão de sua origem e de seu aspecto nórdico, chamavam-no Giantudesco. Doutorou-se in utroque iure (“em ambos os direitos”, ou seja, civil e canônico) na Universidade de Perúgia e foi nomeado juiz e governador da capital da Úmbria em 1412.

Havia-se casado, mas com a conquista de Perúgia pelos Malatesta, perdeu a mulher, o alto cargo e a própria liberdade. De fato, foi parar na prisão, onde teve todo o tempo para meditar sobre a vaidade e a fugacidade das honras mundanas.

Muito desiludido com isso e após o falecimento de sua esposa, decidiu dedicar sua vida a Deus. Saiu transformado interiormente, mas não enfraquecido nas forças nem no desejo de trabalhar pelo bem da Igreja. Vendeu seus bens e doou o dinheiro aos pobres, inspirado por São Francisco.

Em 1416, visto seu casamento ter sido declarado nulo, foi acolhido no convento franciscano dos observantes — frades que haviam acolhido a reforma propugnada por São Bernardino de Sena, do qual João se tornaria amigo e fiel discípulo. Tornou-se sacerdote em 1420 e encarou com humildade e dedicação todas as tarefas que lhe foram impostas.

Passou o resto da vida como legado papal em vários Estados, da Palestina à Silésia e à Boêmia, onde entrou em choque com o movimento hussita. João encarava esses homens e mulheres como hereges e com implacável hostilidade, e seus métodos eram tão obstinados que ele às vezes foi reprovado.

Os papas, que o tiveram como conselheiro, confiaram-lhe repetidas missões diplomáticas em toda a Europa. Sua ordem o enviou à Terra Santa e aos Países Baixos, como visitador.

O imperador Fernando III chamou-o à Áustria para organizar a cruzada contra os turcos e o enviou à Hungria e aos Bálcãs. Surpreende a rapidez com que comparecia aos pontos mais remotos do velho continente, levando-se em conta que o único meio de locomoção era o lombo de mula.

Quando os turcos capturaram Constantinopla, (hoje Istambul), a capital do Império Bizantino em 1453, João se devotou  na incansável cruzada contra os Otomanos que estavam  avançando sobre os Balcãs.

João na Batalha de Belgrado

João de Caspitrano na Batalha de Belgrado

João conseguiu uma audiência com o general húngaro João Corvino. Corvino inspirado pelo santo reuniu os húngaros que resistiram aos turcos e ele pessoalmente comandou uma ala do exercito cristão na Batalha de Belgrado em 1456. Disto resultou a derrota dos invasores quando do cerco de Belgrado. A vitória de Belgrado  salvou a Europa de ser conquistada pelos turcos.

Principal inspirador da heroica resistência dos europeus contra a ameaça turca, morreu de uma praga que varreu a região, no cumprimento de sua tarefa, no dia 23 de outubro de 1456, em Villach, na  Áustria, aos 70 anos de idade.

Tão grande era a revolta dos protestantes a veemência de João, que os luteranos desterraram seu corpo em 1526 e atiraram-no ao rio Danúbio; felizmente foi encontrado pelos católicos que o levaram para para o outro lado do rio, para Ilok, perto de Villach mas já na Croácia, onde se conserva religiosamente honrado num mosteiro franciscano.

Foi beatificado pelo Papa Leão X e, em 1690, canonizado pelo Papa Alexandre VIII. Sua festa é celebrada no dia de sua morte, 23 de outubro.

Na arte Litúrgica da Igreja ele é representado como um franciscano apontando um crucifixo que ele segura; ou com um crucifixo e uma lança; ou pisando em um turbante; ou pregando com anjos e um rosário e o emblema IHS acima dele; ou com a bandeira com a cruz em seu peito.

Castelo e Igreja de Ilok - Croácia

Castelo de Ilok, na Croácia, onde há um monastério franciscano que guarda as relíquias de João de Capistrano

por Leandro Queiroz Postado em Santos Com a tag

São Donato

Donato de FiesoleDonato, filho de nobres cristão, nasceu na Irlanda nos últimos anos do século VIII.

Desde criança foi educado na fé católica. Iniciou os estudos religiosos e, devido ao rápido e bom progresso, desejou aperfeiçoar-se.

Mais tarde, abandonou a família e a pátria, seguindo em peregrinação com seu amigo André por várias regiões até chegar em Roma, onde se tornou sacerdote em 816.

Em 829, na volta para a Irlanda, parou na cidade de Fiesole. Calmo por natureza, Donato entrou na catedral da cidade quando o clero e a população procuravam eleger um novo bispo.

A tradição conta que, quando Donato entrou na igreja, os sinos tocaram e os círios acenderam-se, sem que alguém tivesse contribuído para isso. Os cristãos presentes concluíram que era um sinal divino.

Movidos pela divina inspiração, decidiram escolher aquele desconhecido peregrino. No início, Donato relutou em aceitar, mas depois se dobrou ao desejo de todos. Seu companheiro André foi nomeado seu diácono ajudante.

Existem muitos registros sobre o seu governo pastoral em Fiesole, que durou cerca de S. Donatoquarenta anos. Combateu com sucesso os usurpadores dos bens da Igreja.

Em 866, viajou para encontrar-se com o imperador Lotário II, e conseguiu confirmar as doações dos bens concedidos pelo seu predecessor, Alexandre, e outros vários direitos. Teve uma boa relação com os soberanos daquela época, os quais acompanhava nas empreitadas e nas viagens. Escritos relatam que Donato foi professor, trabalhou para os reis franceses, participou de expedições com os imperadores italianos e chefiou uma campanha contra os invasores árabes muçulmanos na Itália meridional.

Em 850, o bispo Donato esteve em Roma, participando da coroação do imperador Ludovico, feita pelo papa Leão IV. Naquela ocasião, foi convidado a participar, junto com o pontífice e o imperador, do julgamento de uma velha questão pendente entre os bispos de Arezzo e de Siena, resolvida a favor do último.

Era um sacerdote muito instruído, sábio e prudente, por isso se preocupou com a instrução do clero e da juventude. Escreveu diversas obras, das quais restou apenas um epitáfio, ditado para o seu jazigo, valoroso pelas informações autobiográficas; um credo poético, que recitou antes de morrer, e a “Lauda de Santa Brígida“, um livro sobre a vida da santa padroeira da Irlanda.

Pensando nos peregrinos, principalmente nos irlandeses, com recursos próprios Donato construiu naquela diocese a Igreja de Santa Brígida, em Piacenzaentre o 826 e 850, e em seguida, o hospital e um albergue, todos ricamente decorados e bem aparelhados.

Depois, em 850, doou tudo para a abadia fundada por São Columbano de Bobbio.

Morreu em 877, na cidade de Fiesole, depois de 47 anos vividos como pastor da Igreja da cidade. Depois de sua morte seu túmulo se tornou local de peregrinação e vários milagres foram creditados a sua intercessão.

As suas relíquias foram sepultadas na antiga catedral da cidade, dedicada a São Rômulo, onde ficaram até o final de 1817, quando foram transferidas para a nova catedral, em uma capela a ele dedicada, na cidade de Fiesole.

A Igreja declarou-o santo e celebra-o no dia 22 de outubro. A festa de são Donato espalhou-se por todo o mundo cristão, mas principalmente na Irlanda ele é muito homenageado.

Na arte liturgia da Igreja ele é mostrado como um Bispo com um devoto a seus pés. As vezes ele é mostrado apontando uma igreja ao seu diácono André.

Catedral de Fiesole

Catedral de Fiesole que guarda as relíquias de São Donato

por Leandro Queiroz Postado em Santos Com a tag