São Orestes

São OrestesNada se sabe sobre os primeiros anos da vida de Orestes. O Mosteiro da Capadócia, onde as relíquias mortais do mártir estavam guardadas foi destruído por  hereges iconoclastas, isto é, os cristãos que destruíam as pinturas e objetos sagrados.

São OrestesComo a sepultura estava sob a construção, os dados de São Orestes nunca foram encontrados e ninguém soube ao certo a sua origem. Aceita-se que Orestes era natural de Tiana (hoje em ruínas), na Capadócia, atual Turquia, que viveu no final da Antiguidade, no século IV, e era um médico cristão.

Orestes, ao contrário dos médicos pagãos, não aceitava a magia feita por seus colegas como tratamento. Orestes cuidava de todos os seus pacientes sem distinção de raça, credo ou riqueza, aceitando, como pagamento por seus serviços profissionais, o que eles fossem capazes de dar, muitas vezes trabalhando de graça e doando roupas, alimentos e remédios para os pobres.

E muitos de seus pacientes, fascinados por sua fé e sua caridade, convertiam-se ao cristianismo, tendo entre eles até mesmo as autoridades políticas e religiosas.

Como a região era dominada pelo Império Romano de Diocleciano que perseguia os cristão, Orestes foi acusado de incitar o povo contra a idolatria. Denunciado como cristão e pregador da nova fé, Orestes não negou.

Uma narração milenar vinda da Capadócia conta seu martírio pelo oficial militar Maximino enviado pelo imperador para lidar com o cristianismo no Oriente.

São Orestes arrastado por um cavalo

São Orestes arrastado por um cavalo

Segundo a tradição, Orestes estava entre os primeiros levados a julgamento por Maximino. O promotor ofereceu ao santo riquezas, honras e renome para renunciar a Deus, mas Orestes foi inflexível.

Depois Maximino levou Orestes a um templo pagão e exigiu que ele adorasse os ídolos. Quando ele se recusou, quarenta soldados, se revezavam, um após o outro, batendo no santo mártir com cílios, com varas, com couro cru, e depois eles o atormentava com fogo.

Durante este martírio público, ele clamou que o céu lhe concedesse um prodígio capaz de cair sobre o povo, que queria trair a verdade do cristianismo. Imediatamente, foi atendido. Orestes, apenas com um sopro, fez as estátuas dos ídolos voarem como folhas mortas e as colunas do templo caírem, como se fossem de fios de palha.

Todos correram para fora do templo, e quando Orestes saiu, o próprio templo veio a baixo.

O Martírio de São Orestes

O Martírio de São Orestes

Enfurecido, Maximino ordenou que o santo mártir fosse trancado na prisão por sete dias, sem comida nem bebida, e no oitavo dia a tortura continuaria.

Oito dias depois, eles voltaram a torturar Orestes, martelando vinte pregos nas pernas do mártir, e depois o amarraram a um cavalo selvagem. Arrastado sobre as pedras, o santo mártir partiu para o Senhor em 9 de novembro de 304. 

No final, com o cadáver desfigurado, foi atirado num rio, que devolveu seu corpo refeito e coberto com uma magnífica túnica. Foi assim que as relíquias do mártir chegaram naquele antigo local, onde existiu o famoso Mosteiro da Capadócia ou de Santo Orestes.

Em 1685, São Demétrio escreveu a “Vida de São Orestes” e dela vem o pouco que se sabe sobre o santo.  Enquanto preparava o livro para ser impresso pelo Kiev Caves Lavra, ele adormeceu.

O santo mártir Orestes apareceu para ele em um sonho. Mostrou-lhe a profunda ferida no seu lado esquerdo, com os braços feridos e cortados, e as pernas, que tinha sido furadas por pregos, e disse-lhe: “Você vê, eu sofri mais tormentos para Cristo do que você descreveu”.

São Demétrio não sabia quem era aquele santo e perguntou se este era São Orestes, soldado e um dos Cinco Mártires de Sebaste. O mártir disse: “Eu não sou Orestes, que foi um dos Cinco Mártires, mas cuja vida que acabou de escrever.”

Ruínas do Mosteiro da Capadócia, onde estava as relíquias de São Orestes

Ruínas do Mosteiro da Capadócia, onde estavam as relíquias de São Orestes

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São Vilibrordo

Um monge beneditino, de pequena estatura, olhos profundos e vivos, mas de franzina e delicada constituição, compartilha com são Bonifácio o mérito de ter evangelizado a Germânia transrenana: é Vilibrordo, inglês da Nortúmbria, formado espiritualmente na Irlanda, na escola do abade Egberto, e em Ripon, uma verdadeira forja de santos.

Depois do insucesso da primeira missão, Vilfrido enviou à Frísia um grupo de 11 missionários, encabeçados pelo enérgico e corajoso Vilibrordo. O primeiro impacto com a região germânica teria desencorajado quem a ela tivesse chegado com outros fins que não fossem os de levar a mensagem evangélica aos pagãos.

Os 12 missionários desembarcaram na confluência do Escaut, entre brejos malsãos e guerreiros em debandada depois do vitorioso avanço de Pepino de Heristal, que, ao derrotar o rei Radbod, apossou-se da hostil região nórdica. Uma vitória providencial também para Vilibrordo, que pôde dirigir-se ao interior da Germânia e estabelecer contato com as populações pagãs.

Antes, porém, de dar início à evangelização, Vilibrordo quis ter o beneplácito do papa. A devoção ao papa será um sinal distintivo deste tenaz e leal “apóstolo”.

Ao voltar de Roma com o encorajamento de Sérgio I, Vilibrordo escolheu Antuérpia como ponto de partida para a irradiação das futuras missões. Antes de coordenar uma importante fundação, como criar uma nova diocese na Frísia, Vilibrordo dirigiu-se uma vez mais a Roma. E encontrou desta vez um novo papa, Gregório II, que o ordenou bispo com o nome de Clemente. Em 698, Vilibrordo fundou em Luxemburgo o mosteiro de Echternach, como ponto avançado das futuras expedições missionárias, que a partir daquele momento seria difícil enumerar.

Homem de ação e de oração, ele encarna o típico monge-abade-bispo beneditino, excelente organizador, com um acentuado senso da autoridade central. A ele se deve, de fato, a criação de bispos auxiliares que evitassem o fracionamento das várias Igrejas, com prejuízo de uma conjunta e mais incisiva atividade missionária. Morreu na abadia de Echternach, onde são venerados os seus restos mortais.

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São Leonardo de Noblac

Nascido na França do século V, Leonardo era filho de nobres, mas não quis seguir a carreira militar, preferindo ajudar ao Bispo de Rheims, São Remígio. Leonardo era afilhado do rei francês Clóvis I, que era pagão.

Certo dia, a rainha sugeriu que Leonardo invocasse a ajuda de Deus para repelir a invasão de um exercito contrário, e que estava vencendo a batalha. Ele assim o fez e a batalha modificou misteriosamente e Clóvis foi vitorioso.

São Remígio, usou este milagre para converter o Rei Clóvis e centenas de seguidores ao cristianismo, em 496.

Leonardo valeu-se de qualquer modo da amizade do rei para ter um privilégio, do qual fez amplo uso porque inspirado na caridade, e aproveitava-se dessa amizade para colocar em liberdade a prisioneiros, em sua maioria inocentes.

Leonardo iniciou uma vida de austeridade, e pregação. Seu desejo de conhecer melhor a Deus aumentou e ele entrou para o Monastério em Orleans. Quando lhe ofereceram para ser Bispo, disse preferir a vida solitária no meio de uma floresta – em vida contemplativa e assim o fez. Leonardo decidiu viver como eremita no meio de um denso bosque.

Mas a santidade tem muitos outros recursos. Assim, espalhado o rumor sobre este santo eremita e sobre suas capacidades taumatúrgicas, bastava aos prisioneiros invocar seu nome para que as correntes caíssem de seus pulsos e tornozelos.

Bem no meio da floresta de Pavum, perto de Limoges, onde o eremita havia fixado a sua morada, passou, em vez dos prisioneiros, o casal real com todo o seu séquito de cortesãos para uma partida de caça. Inútil perguntar o que foi fazer aí a rainha no último mês de gravidez. Para lá foi ela, narra o autor da Vita sancti Leonardi, por um desígnio providencial. Com efeito, a nobre soberana, colhida pelas dores do parto, teve a assistência do santo e, graças sobretudo as suas orações, o evento foi verdadeiramente alegre.

O rei mostrou-se reconhecido e prometeu doar-lhe o terreno para que construísse um mosteiro. Que área? Toda aquela que ele conseguisse delimitar percorrendo-a no dorso de um asno, em um só dia, obviamente. Leonardo, já rodeado de muito discípulos, alguns dos quais tinham sido libertados das cadeias por sua intercessão, construiu um primeiro oratório e aí escavou um poço; depois os devotos estabeleceram-se ao lado do mosteiro com suas famílias, dando origem à aldeia que leva seu nome: Saint-Leonard-de-Noblac. E o santuário continua ainda hoje a ser lugar de peregrinações.

O santo é invocado como padroeiro dos prisioneiros, mas também dos fabricantes de cadeias, de cepos, de fechos e afins. É invocado contra os bandidos, os quais, por sua vez, postos sob cadeias, poderiam recorrer a seu generoso patrocínio. Mas o invocam sobretudo as parturientes para ter um parto indolor.

As notícias sobre a vida deste santo, popularíssimo na Europa centro-setentrional, chegaram até nós por meio de uma biografia escrita cinco séculos depois de sua morte, com os inevitáveis embelezamentos legendários.

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Santa Isabel

Isabel (do hebraico: אֱלִישֶׁבַע / אֱלִישָׁבַע “Meu Deus jurou”; hebraico padrão: Elišévaʿ ~ Elišávaʿ, Tiberiano: ʾĔlîšéḇaʿ ~ ʾĔlîšāḇaʿ) é uma santa mencionada no Evangelho segundo Lucas como esposa do sacerdote Zacarias e mãe de João Batista.

De acordo com o texto do Evangelho, Zacarias e Isabel eram pessoas consideradas justas diante de Deus, “vivendo irrepreensivelmente em todos os mandamentos e preceitos do Senhor”. Porém, não tinham filhos porque Isabel era estéril.

Quando o casal já se encontrava em idade avançada, o anjo Gabriel apareceu a Zacarias quando este se encontrava no templo oferecendo incenso, tendo anunciado que Isabel iria ter um filho que se chamaria João.

Isabel então concebeu, tendo então se ocultado das vistas das pessoas pelo lapso de cinco meses.

No sexto mês de gestação de Isabel, sua prima Maria também recebeu uma promessa através do anjo Gabriel e concebeu do Espírito Santo e, quando esperava Jesus em seu ventre, foi visitá-la nas montanhas de Judá.

Segundo Lucas, no momento em que Maria entrou na casa de Zacarias, ao saudar sua prima, João Batista teria pulado em seu ventre e ela ficou cheia do Espírito Santo.

Quando a criança nasceu e foi circuncidada ao oitavo dia, segundo a tradição judaica, as pessoas desejavam que o menino recebesse o nome do pai. Isabel responde que o nome do filho seria João. Zacarias então confirma as palavras de Isabel escrevendo o seu nome em uma tábua, conforme o anjo havía lhe determinado.

A partir de então, a Bíblia nada mais fala a respeito da vida de Zacarias e de Isabel, tendo Lucas limitado a dizer que o João Batista “crescia, e se robustecia em espírito, e esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel” (Lc 1:80).

Contudo, a tradição do catolicismo diz que Zacarias e Isabel teriam acompanhado a educação do filho, mudando-se para o deserto e fazendo da criança um nazireu, vindo Isabel a falecer em 22 d.C. e teria sido sepultada em Hebrom, quando João teria entre 28 a 29 anos de idade.

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Santa Sílvia

Sílvia era italiana, nascida em Roma em torno de 520, numa família de origem siciliana de cristãos praticantes e caridosos. Os dados sobre sua infância não são conhecidos. Porém a sua adolescência coincidiu com um difícil e turbulento período histórico, o declínio do Império Romanoe a tomada do mesmo pelos bárbaros góticos.

Ela entrou para a família dos Anici em 538, quando se casou com o senador Jordão. Essa família romana era muito rica e influente, e muitos nomes forneceu para a história do senado italiano. Sílvia foi residir na casa do marido, um palácio que ficava nas colinas do monte Célio, onde ele vivia com suas duas irmãs, Tarsila e Emiliana.

O casal logo teve dois filhos. O primeiro foi Gregório, nascido em 540, e o segundo, que o próprio irmão citava com freqüência, nunca teve citado o nome. As cunhadas Tarsila e Emiliana tornaram-se santas, incluídas no calendário da Igreja, E seu primogênito foi o grande papa Gregório Magno, santo, doutor da Igreja e a glória de Roma do século VI.

Sílvia soube conduzir essa família de verdadeiros cristãos e romanos autênticos. Não permitiu que a o ambiente da Corte que freqüentavam impedisse a santificação pela fé, mantendo sempre a pureza dos costumes separada da notoriedade pública. As cunhadas são um exemplo da figura de Sílvia, mãe providente e benfeitora, que soube conciliar as exigências de uma família de político atuante, como era o marido Jordão, com o desejo de perfeição espiritual representado pelas duas cunhadas.

Por falta de notícias precisas, a santidade de Sílvia aparece refletida através daquela de seu filho. Sem dúvida, sobre são Gregório Magno o exemplo e o ensinamento da mãe foi um peso que não se pode ignorar. Embora ele tenha escrito muito pouco sobre a mãe e as tias, nas pregações costumava citar-lhes o exemplo.

Dados encontrados sobre a vida de Silvia relatam que, quando o senador Jordão morreu em 573, ela tratou de uma doença grave do filho Gregório, que já adulto atuava no clero, levando pessoalmente as refeições até sua pronta recuperação. Depois disso, entregou o palácio onde residia para que o filho o transformasse num mosteiro.

Quando Gregório não precisou mais da sua ajuda e nem de sua orientação, Sílvia retirou-se para a vida religiosa num dos mosteiros existentes fora dos muros de Roma. No qual, com idade avançada, ela morreu serenamente, num ano incerto, mas depois de 594.

O Martirológio Romano indica o dia 3 de novembro para o culto litúrgico em lembrança da memória de santa Sílvia. Em 1604, suas relíquias foram levadas para a igreja de santos André e Gregório, construída no antigo mosteiro e palácio de monte Célio, onde o papa São Gregório Magno nasceu e santa Sílvia viveu com as duas cunhadas santas.

por Leandro Queiroz Postado em Santos

São Martinho de Porres

Este humilde “filho de pai desconhecido”, recusado pelo pai porque de pele escura (sua mãe era uma negra do Panamá, de origem africana), representa a desforra da santidade sobre os preconceitos humanos. Mesmo sendo filho de um fidalgo espanhol, Martinho foi criado em pobreza extrema pela mãe até os 8 anos, quando o pai, arrependido de o ter abandonado, levou-o consigo, ainda que por pouco tempo, para viver no Equador.

Abandonado de novo a si mesmo, recebeu todavia do pai uma magra pensão para poder pagar a mensalidade da escola. Aos 15 anos foi aceito no convento dominicano do Rosário, em Lima, mas apenas na qualidade de oblato, isto é, como terciário, ou melhor, como doméstico, visto que só teve a missão de manter limpo o convento. Martinho é de fato representado com uma vassoura. Teve ainda o encargo de cortar os cabelos dos frades e por este seu serviço prestado à comunidade Paulo VI o proclamou, em 1966, padroeiro dos barbeiros e cabeleireiros.

Finalmente, seus superiores deram-se conta de que Martinho tinha outros dotes e o admitiram ao noviciado e depois à profissão solene, como irmão cooperador. Não mudaram, entretanto, suas funções, e Martinho continuou a ser a gata-borralheira do convento, até que o eco de sua santidade se difundiu por todo o país.

Entre os outros extraordinários carismas, como os êxtases e as profecias, teve o dom da bilocação. Foi visto na China, no Japão, na África, confortando missionários extenuados ou perseguidos, sem nunca, entretanto, se ter afastado de Lima. Operou autênticos milagres durante a epidemia de peste, curando todos os que acorriam a ele pedindo ajuda. Curou os 60 confrades atingidos pelo morbo. Voltava sua atenção a todas as criaturas, incluindo os animais.

Continuou, com inalterada simplicidade, a desempenhar os serviços reservados aos irmãos leigos, mesmo quando a ele recorriam teólogos e autoridades civis, para pedir conselho. Morreu em 3 de novembro de 1639. Foi canonizado por João XXIII em 6 de maio de 1962.

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